quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A ESTRATÉGIA DOS “PEQUENOS GRUPOS” COMO MÉTODO DE EVANGELISMO

Severino Brêda da Silva

RESUMO:
Este trabalho aborda a estratégia dos “pequenos grupos”, mais comumente denominado de “igreja em células” ou “grupos familiares” como estratégia de evangelismo. Apresenta a origem histórica, o conceito, o que fazem, quais as bases bíblicas e teológicas, aspectos negativos e quais os benefícios que justificam a utilização desse método de evangelismo para as igrejas atuais.

Palavras-chave: Pequenos grupos. Igreja em células. Método de Evangelismo.

ABSTRACT:
This paper discusses the strategy of "small groups", more commonly called the "cell church" or "family groups" as a strategy for evangelism. It presents the historical background, the concept, what they do, what are the biblical and theological foundations, the negative aspects and the benefits that justify the use of this method of evangelism for the church today.

Keywords: Small groups. Cell church. Method of evangelism.



1. Considerações iniciais
Devido a um grande despertar para a religiosidade neste século, se faz necessário adotar métodos e estratégias de evangelismo para alcançar interessados no evangelho de maneira eficiente e eficaz. No entanto, apesar desse despertar para a religiosidade, uma das marcas da sociedade atual é o individualismo. O apóstolo Paulo adverte-nos que nos últimos tempos a humanidade seria egoísta, hedonista e individualista. (II Timóteo 3:1-15).
De acordo com pesquisas recentes, 70% dos cristãos americanos crêem que podem ser bons cristãos sem fazer parte de uma igreja formal. Todavia, é impossível ser um cristão autêntico sem estar envolvido ou pertencer a uma comunidade de crentes. O fato de constar no rol de membros de uma igreja não significa ser um cristão biblicamente falando. Neste aspecto, a estratégia/metodologia dos pequenos grupos, mais comumente conhecida no meio evangélico como grupos familiares ou igrejas em células tem demonstrado ser muito eficiente para a pregação do Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Os pequenos grupos tendem a quebrar as barreiras do individualismo e motiva os membros a trabalharem em prol do próximo, edificando-se uns aos outros, cumprindo desta forma o propósito de Deus aqui nesta terra, que é o serviço abnegado em favor dos necessitados. Diante disso, pode-se afirmar que a participação num pequeno grupo envolve relacionamento com Deus e envolvimento pessoal em prol da comunidade de crentes.
O presente trabalho de conclusão de curso tem por finalidade apresentar a origem histórica, o conceito de pequenos grupos, o que fazem, quais as bases bíblicas e teológicas que os justificam como método de evangelismo, quais os benefícios e a contribuição dos pequenos grupos para a igreja e, por fim, quais os aspectos positivos e negativos na implantação de um pequeno grupo.
Um dos principais referenciais teóricos que iremos utilizar será o Dr. Russel Burril, Ph. D em evangelismo pela Universidade Andrews nos Estados Unidos, baseando-se em sua obra “Como Reavivar a Igreja do Século 21: o poder transformador dos pequenos grupos (2009)” e outros tais como David Cox que defendem os pequenos grupos como método de evangelismo e estratégia de crescimento de igrejas.



2. Pequenos Grupos
2.1. Histórico
A história bíblica e secular tem apresentado a origem dos pequenos grupos desde os tempos do Antigo Testamento, especificamente no Livro de Êxodo, passando pelos primórdios da Igreja primitiva, no período do Novo Testamento, na época de John Wesley e no início do Adventismo primitivo até os dias atuais.
No Livro de Êxodo, capítulo 18, Moisés recebe o conselho de seu sogro, Jetro para que nomeiem auxiliares, pois ele se encontrava sobrecarregado e então “Moisés escolheu homens capazes de todo o Israel, e os constituiu por cabeças sobre o povo: chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinqüenta e chefes de dez” (Êxodo 18:25-27).
A partir desse momento, Moisés estabeleceu líderes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez, fazendo com que o seu ministério pastoral fosse aliviado e delegando responsabilidades de forma equilibrada.
No final do século XVIII, John Wesley foi um dos grandes nomes da Reforma Protestante e pioneiro na implantação dos pequenos grupos. Wesley implantou mais de 10.000 pequenos grupos, denominado de classes. As classes eram ferramentas evangelísticas e agentes discipuladoras. Wesley chegou a afirmar: “Estou convencido, mais do que nunca, que pregar como apóstolo, sem juntar depois os convertidos e treiná-los nos caminhos de Deus, é somente gerar filhos para o matador” (BURRIL, 2009, p. 107).
O Adventismo primitivo adotou o modelo do metodismo de Wesley, como método de evangelismo, devido os seus pioneiros serem a maioria proveniente do metodismo. Nesta época, devido ao grande despertar para as verdades bíblicas, havia um ambiente favorável para que os pequenos grupos se consolidassem e era a vontade de Deus para a Sua Igreja naquele momento.
Para Peter Wagner, apud Komiskey “a maioria das igrejas de hoje que têm derrubado barreiras de crescimento, uma após outra, são igrejas que deram ênfase às igrejas nas casas” (KOMISKEY, 2006, p. 8). Nota-se, portanto, que as igrejas que mais têm crescido são as que adotaram os pequenos grupos como filosofia e estilo de vida.


2.2. O que são e o que fazem?
O Voto da Comissão da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em maio de 2007, nos apresenta a visão dos pequenos grupos:
Que os pequenos grupos caracterizem o estilo de vida da igreja e funcionem como a base para a comunidade relacional, crescimento espiritual e cumprimento integral da missão de acordo com os dons espirituais (WHITE, 2004, p. 115).
De acordo com David Cox as pesquisas feitas indicam que os melhores pequenos grupos são os que, por definição:
a) São uma parte essencial da vida e da estrutura da igreja;
b) Têm uma mentalidade de crescimento;
c) Funcionam relacionalmente (COX, 2000, p. 11).
Conforme as citações acima, podemos identificar várias características tais como os pequenos grupos como estilo de vida, como a base para comunidade relacional, crescimento espiritual e têm por objetivo principal o cumprimento da missão da igreja.
A comissão deixada por Jesus para a Sua igreja é “Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mateus. 28: 19 e 20). Os pequenos grupos possuem, portanto, uma missão e esta missão é o cumprimento da missão da igreja, que é ensinar, batizar e ensinar a guardar todas as coisas que o Senhor Jesus deixou para os seus primeiros discípulos e para os cristãos na atualidade.
3. Fundamentos bíblicos e teológicos
Toda ação da igreja deve estar fundamentada na Bíblia, a Palavra de Deus. Apresentaremos a seguir os princípios bíblicos e teológicos que embasam os pequenos grupos. Primeiramente, deve-se ter em mente que a adoção da estratégia e metodologia dos pequenos grupos originou-se na mente do próprio Deus.
Antes da criação já existia um pequeno grupo de três pessoas distintas, pois Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gênesis 1:26). Nesta frase nota-se que Deus não estava sozinho. Sabemos que as três pessoas da Divindade, ou seja, a Trindade participou da criação. Deduz-se então a partir disso a existência de um pequeno grupo de três pessoas da Divindade. Logo após a criação, o Senhor Deus fundou outro pequeno grupo, inicialmente com Adão e Eva. Posteriomente, com seus dois filhos Caim e Abel e, assim sucessivamente.
Com Moisés, o grande líder libertador do povo de Deus também não foi diferente. Moisés organizou o povo em pequenos grupos, atendendo ao conselho divinamente inspirado de seu sogro Jetro (Êxodo 18:17-15). Jesus, no início de seu ministério na terra formou um pequeno grupo com os doze discípulos (Marcos 3:13-15).
A igreja primitiva foi organizada em pequenos grupos com reuniões nos lares, por causa da perseguição dos judeus (Atos 2:42-47; 5:42). A escritora e pioneira do movimento Adventista Ellen G. White declara a respeito dos pequenos grupos:
Que pequenos grupos se reúnam à noite, ao meio-dia, ou de manhã cedo, para estudar a Bíblia. Que eles tenham um período de oração, para que possam ser fortalecidos, iluminados e santificados pelo Espírito Santo. Se vocês mesmos abrirem a porta para recebê-la, uma grande bênção virá sobre vós. Anjos de Deus estarão no meio da vossa assembléia. Sereis alimentados com as folhas da Árvore da Vida. Que testemunhos podeis dar do carinhoso relacionamento com os vossos colegas de trabalho nesses preciosos períodos em que buscais as bênçãos de Deus. Que cada um conte a sua experiência com palavras simples. Isso trará mais conforto e alegria à alma do que todos os agradáveis instrumentos de música que possam ser introduzidos nas igrejas. Cristo entrará nos vossos corações. Só por este meio podereis manter a vossa integridade” (WHITE, 2000, p. 195).
Ainda com relação aos pequenos grupos, a pioneira adventista afirma que é uma orientação de Deus para a igreja: “A formação de pequenos grupos como base de esforço cristão, foi me apresentada por Aquele que não pode errar”. “Formemos em nossas igrejas grupos para o serviço” (WHITE, 2004, p. 72).
Os pequenos grupos são os planos de Deus para a igreja no tempo do fim, tanto para as grandes quanto para as pequenas igrejas. Sabemos que a igreja de Deus será perseguida novamente e já não mais existirão prédios para os cristãos se reunirem. Com os pequenos grupos a igreja será fortalecida espiritualmente e sobreviverá aos ataques do inimigo de Deus e de todos os cristãos, Satanás.
4. Benefícios e Aspectos Positivos
Podemos afirmar sem sombra de dúvidas de que existem vários benefícios e aspectos positivos na adoção da estratégia e metodologia dos pequenos grupos. Dentre eles, destacam-se o crescimento no relacionamento com Deus, crescimento no conhecimento e estudo da Bíblia, na amizade e relacionamentos uns com os outros, atende e ajuda nas necessidades das pessoas, capacita os membros para o ministério cristão, identifica rapidamente os dons espirituais e são desenvolvidos e utilizados na obra de Deus, ajuda no cuidado pastoral da igreja, diminui a apostasia e ajuda na conservação de membros na igreja, ajuda a formar novos discípulos e mobiliza o maior número de membros na conquista de almas para o reino de Deus. Dentre as diversas vantagens dos pequenos grupos acima citados, analisaremos abaixo algumas delas.
4.1. Crescimento espiritual
Os pequenos grupos são o ambiente ideal e propício para atender às necessidades espirituais e materiais dos participantes ou não participantes. Desenvolve nos membros o desejo de alcançar maior espiritualidade e maturidade cristã. A igreja pode ser considerada como uma fogueira e nós como as brasas. Se afastarmos da fogueira, a nossa chama espiritual poderá se apagar. Neste aspecto, os pequenos grupos poderão ser as faíscas que ascenderá as nossas brasas para a seara do Senhor na conquista de almas para o seu reino.
4.2. Crescimento nos relacionamentos
O ser humano é um ser social e necessita estar constantemente em contato uns com os outros. Como diz o adágio: “Ninguém é uma ilha”. Diante disso, o ser humano necessita preencher as suas necessidades sociais de relacionamentos e atender a uma necessidade básica de pertencimento a um grupo. Neste aspecto, os pequenos grupos preenchem tais necessidades e carências, pois é um ambiente propício para o crescimento nos relacionamentos.
Quando um indivíduo se associa a uma nova igreja, ele necessita fazer novas amizades, pois os vínculos anteriores, na maioria das vezes são cortados. De acordo com especialistas, um membro que não ingressa num círculo de amizade após o seu batismo na igreja, dificilmente permanecerá na nova fé. Daí a importância do desenvolvimento de um novo círculo de amizades e relacionamentos na comunidade cristã.
4.3. Formação de discípulos
As igrejas em geral trabalham com a estratégia e metodologia de formação de discípulos. O próprio Jesus Cristo implantou um sistema de discipulado. Durante três anos e meio treinou e capacitou os doze discípulos para a missão da igreja.
Em Mateus Jesus nos deixou esta ordem expressa: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”. (Mateus 28: 19,20). Diante dessa afirmação, pode-se deduzir que os pequenos grupos são o melhor ambiente para o ensino, capacitação e desenvolvimento de discípulos e formação de liderança.
4.4. Formação de liderança
Será de vital importância que nos pequenos grupos os líderes sejam pessoas comprometidas com a visão e a missão da igreja e sejam devidamente treinados e capacitados para a liderança dos pequenos grupos. A igreja necessita implantar um programa de capacitação e treinamento da liderança dos pequenos grupos, com encontros de aprendizado, inspiração, motivação e apoio mútuo entre os líderes, o ancião e o pastor da igreja.
Um líder de pequeno grupo deve reunir qualidades necessárias para desempenhar um bom trabalho, tais como: atuar como um sub-pastor, ter comprometimento e compreensão de princípios espirituais, ter um profundo relacionamento com Cristo, disposição para ajudar, paixão pela conquista de almas para Cristo, ser estudante assíduo da Bíblia, apto para o ensino e que também possa ser ensinado, ser responsável e acima de tudo, possuir um estilo de liderança servidora, baseado em Lucas 22:25-26. Enfim, para que os pequenos grupos prosperem, o líder deverá ser a peça chave e deverá comunicar a visão e missão da igreja e articular o propósito do movimento.
4.5. Plantio de novas igrejas
Além de promoverem os benefícios já citados anteriormente, os pequenos grupos também contribuem para o plantio de novas igrejas.
No entanto, para que os pequenos grupos cresçam e tornem-se novas igrejas, de acordo com as normas de procedimentos e orientações da Igreja Adventista do Sétimo Dia, eles deverão ter em mente a busca dos componentes de um crescimento eclesiástico, que são:
a) Visão e missão específicas; b) Membros envolvidos em vários ministérios; c) Ser uma igreja atraente para a comunidade; d) Ligação com o poder celestial através da oração; e) Amar incondicionalmente as pessoas; f) Preparar e capacitar novos líderes; g) Atrair visitantes e simpatizantes; h) Realizar evangelismo em equipe e através de duplas missionárias; i) Dividir-se para multiplicar e multiplicar para crescer (REVISTA PEQUENOS GRUPOS, 2005, p. 23).
5. Aspectos negativos
Dentre os vários aspectos que se consideram negativos na implantação dos pequenos grupos, destacam-se a falta de:
a) Liderança capacitada e treinada; b) Organização e compromisso dos membros; c) Preparo da igreja, da liderança e do pastor; d) Visão e missão obscuras por parte da liderança; d) Verdadeira Koinonia (comunhão); e) Persistência e motivação para o trabalho missionário; f) Oração, espiritualidade, consagração e perseverança (REVISTA PEQUENOS GRUPOS, 2005, p. 24).
Um pequeno grupo que apresente qualquer um destes aspectos negativos, dificilmente terá sucesso e a tendência será a sua extinção.
6. Metodologia de Funcionamento
O programa dos pequenos grupos está praticamente fundamentado na Bíblia (Atos 2:42 e 47) e também podem ser encontrados nos escritos da co-fundadora do movimento adventista, a Sra. Ellen White. A seguir, apresenta-se a seqüência de uma reunião de estudo relacional da Bíblia de um Pequeno Grupo, de acordo com manuais de instruções e orientações da Igreja Adventista do Sétimo dia:
1. Confraternização – recepção, colocando a conversa em dia e "quebra-gelo"; 2. Adoração – louvor, oração, meditação, testemunho, estudo; 3. Testemunho – planejamento evangelístico do grupo, oração intercessória, duplas missionárias; 4. Oração – oração individual, em duplas ou em grupo; 5. Estudo Relacional da Bíblia – ênfase na aplicação do texto à vida pessoal e comunitária (REVISTA PEQUENOS GRUPOS, 2005, p. 25).
1. Confraternização – É o momento em que o pequeno grupo desenvolve a amizade e o companheirismo entre os componentes. Durante a confraternização é criado um clima de participação de todos. O líder exerce um papel fundamental neste aspecto, iniciando a confraternização como forma de “quebra-gelo”. Todos devem participar livremente. Perguntas que podem ser feitas durante a confraternização: Como foi a semana? Aconteceu alguma coisa especial que gostaria de compartilhar com o grupo? Ajudou alguém durante a semana?
2. Adoração – Neste momento, os membros poderão louvar a Deus através de hinos, cânticos e salmos, meditações, testemunhos, etc.
3. Testemunho – Este é o momento em que os componentes do pequeno grupo partilham as suas atividades missionárias e espirituais que aconteceram durante a semana.
4. Oração – A oração é “a respiração da alma” de um pequeno grupo, como afirma Ellen White. Ela é indispensável para a sobrevivência de um pequeno grupo. Faz com que os membros se aproximem uns dos outros e fortalece a vida espiritual do pequeno grupo. Poderá ser realizado individualmente, em duplas ou em grupo.
5. Estudo Relacional da Bíblia – É o momento de se abrir a Palavra de Deus e usufruir do poder contido nela. A Bíblia é a fonte de todo o poder que vem de Deus. É um livro vivo e criativo que transforma o coração das pessoas. Neste momento o líder desenvolve o papel de instrutor e evangelista através de um estudo relacional, realizando aplicações práticas para a vida dos componentes do pequeno grupo e deverá contar com a participação de todos.
Funcionamento do Pequeno Grupo
Normalmente o pequeno grupo funciona numa casa cedida por um anfitrião ou anfitriã membro da igreja, uma vez por semana, podendo ser na sexta-feira, considerado o dia mais apropriado ou outro dia, com tempo aproximado de 60 a 70 minutos, com três a doze participantes. Caso tenha criança, escolher uma pessoa capacitada para cuidá-las.
Orientações que o líder deve dar nas primeiras reuniões
Nas primeiras reuniões dos pequenos grupos, o líder deverá dar as primeiras instruções quanto ao relacionamento interpessoal entre os membros:
1. Os membros são aceitos como são; 2. A participação é espontânea; 3. Os membros não tentarão modificar ninguém; 4. O objetivo é compartilhar a experiência uns com os outros; 5. Combinar quando serão convidados os interessados (aconselha-se convidar quando houver a consolidação do pequeno grupo, em torno de três meses após o início); 6. Fazer um compromisso com o grupo (REVISTA PEQUENOS GRUPOS, 2005, p. 26)
Compromisso de cada membro do Pequeno Grupo
Todos os componentes do pequeno grupo deverão firmar um compromisso na participação e envolvimento nas reuniões e nas atividades evangelísticas do grupo:
Chegarei a tempo para as reuniões; Se faltar avisarei; Ajudarei o grupo a ter uma experiência positiva; Participarei do evangelismo; Ajudarei o grupo a crescer e formar um novo grupo (REVISTA PEQUENOS GRUPOS, 2005, p. 27).
Oito Hábitos do Líder de um Pequeno Grupo
Todo líder de pequeno grupo deve ter em mente que está desempenhando a função de um sub-pastor e possui sob sua responsabilidade vários irmãos em Cristo, devendo zelar e cuidar da vida espiritual dos componentes do seu grupo e para tanto, deverá desenvolver hábitos espirituais saudáveis, tais como:
1. Sonhar em liderar um grupo saudável, que cresce e se multiplica;
2. Orar diariamente pelos membros do grupo;
3. Convidar semanalmente pessoas novas para visitar o grupo;
4. Contatar regularmente os membros do grupo;
5. Preparar-se para o encontro do grupo;
6. Mentorear um auxiliar de líder;
7. Planejar atividades de comunhão do grupo;
8. Comprometer-se com o crescimento pessoal (REVISTA PEQUENOS GRUPOS, 2005, p. 28).
7. Considerações finais
O presente trabalho de conclusão de curso teve por finalidade apresentar a estratégia e metodologia dos pequenos grupos como uma excelente ferramenta de evangelismo para as igrejas nos dias atuais. Apresentamos breves considerações iniciais, a origem histórica, o conceito e os fundamentos bíblicos e teológicos, benefícios e aspectos positivos e negativos e a metodologia de funcionamento dos pequenos grupos.
Pode-se afirmar que a vida do corpo da igreja encontra-se em suas células. Se a célula, que é a base de um organismo saudável não se multiplicar, o corpo também não se desenvolve. Quando as células se multiplicam, o corpo se desenvolve. As células são, portanto, os pequenos grupos, organismos vivos da igreja.
O Manual da Igreja Adventista afirma: “Um estudo sobre os movimentos da igreja mostra que todo grande reavivamento é influenciado pelo rápido acesso à Bíblia e pela reunião de crentes em grupos pequenos e amistosos” (MANUAL DA IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA, 2006, p. 68).
Neste aspecto pudemos constatar que os pequenos grupos promovem confraternização, estudo relacional da Bíblia, oração e testemunho entre os crentes de uma comunidade cristã e promovem um grande reavivamento espiritual na igreja, além de contribuir para a formação de liderança e motivar os membros da igreja para o trabalho missionário.
Diante disso, dentre os vários aspectos positivos que apresentamos, aconselhamos às comunidades cristãs que adotem os pequenos grupos como estilo e filosofia de vida, pois, as estatísticas têm demonstrado uma explosão numérica e um grande despertamento espiritual para as verdades bíblicas nas igrejas que adotam tal estratégia e metodologia de evangelismo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bacharel em Ciências Contábeis - Universidade Federal de Mato Grosso
Bacharelando em Teologia - Universidade da Grande Dourados
Mestre em Teologia pela Escola Superior de Teologia de São Leopoldo – RS
E-mail: sbscontabil@hotmail.com

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WHITE, Ellen G. Evangelismo, 2004, p. 115.
COX, David. Pense em grande, pense em grupos pequenos, p. 11.
WHITE, Ellen G. Testemunhos para a igreja, 2000, p. 195.
REVISTA PEQUENOS GRUPOS: restaurando vidas. Encontro de Pastores e Coordenadores – UCOB/ABC – APLAC/PMTo – ASM – MMT – Ano 01 n. 01 maio 2005, p. 23.
Idem, p. 24.
Idem, p. 25
Idem, p. 26
Idem, p. 27
Idem, p. 28

BIBLIOGRAFIA
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BOYER, Orlando. Pequena enciclopédia bíblica. São Paulo: Editora Vida, 2006.
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CAPACITANDO LÍDERES - Manual para Treinamento de Líderes de Pequenos Grupos e Anciãos - União Sul Brasileira da IASD – 2004.
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FOWLER, John W. Ministério pastoral adventista. São Paulo: Editora Tempos Ltda, 1997.
HYBELS, Bill & MITTELBERG, Mark. Cristão contagiante: descubra seu próprio jeito de evangelizar. São Paulo: Editora Vida, 1999.
KIVITZ, Ed René. Vivendo com propósitos. São Paulo: Mundo Cristão, 2003.
KOMISKEY, Joel. Crescimento explosivo da igreja em células. Curitiba – PR, Ministério Igreja em Células no Brasil, 2006.
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domingo, 15 de novembro de 2009

Céu, Inferno, Parousia e Juízo Final

Existem várias visões sobre o céu e o inferno. Na visão tradicional católica e protestante, céu e inferno devem ser interpretados literalmente. Já sob a ótica católica e protestante contemporâneas, o céu e o inferno são símbolos, metáforas que se referem à afirmação plena da vida ou da morte.
Quanto à “Parousia e o Juízo Universal” também podemos encontrar várias interpretações. Existe a afirmação de que o inferno é literal, é um lugar de tormento eterno. Outros já negam a existência de inferno, pois o inferno se refere à sepultura, “sheol”, em hebraico.
Já no meio protestante existem várias linhas teológicas: “pós-tribulacionistas”, “amilenistas”, “mid-tribulacionistas”, “meso-tribulacionista”, “pré-tribulacionista dispensacionalista”. Dentro dessas linhas alguns acreditam que a igreja será arrebatada secretamente. Alguns serão levados, outros serão deixados para passarem pela tribulação. Outros afirmam que a igreja se encontrará com Jesus nas nuvens do céu e enfrentaremos o Juízo Final. Outros afirmam que já está acontecendo um Juízo Investigativo de nossas obras. Haja confusão! Até parece que estamos diante da “Torre de Babel” novamente!.
Diante de tantas interpretações teológicas só posso afirmar com a plena certeza na Palavra de Deus de que Jesus voltará nas nuvens do céu literalmente, pois Apocalipse 1: 7 afirma que “todo o olho verá o Filho do Homem vindo nas nuvens do céu”. Não há outra forma de interpretarmos este versículo. Quando afirma todo é todo olho físico e não somente os olhos da fé. Até aqueles que traspassaram Jesus ressuscitarão para ver a Sua glória em seu retorno.
Quanto ao céu, a Palavra de Deus é categórica em afirmar que Deus habita no céu e Jesus foi nos preparar um lugar. Com certeza, este lugar deve ser o céu.
Quanto ao juízo final, todos haveremos de enfrentá-lo. Pode estar acontecendo agora ou num futuro próximo, pois a Palavra de Deus afirma que no céu existem livros e um dos principais é o “Livro da Vida do Cordeiro”. Se não houvesse julgamento, não haveria necessidade de livros para serem anotados os nossos atos.
Portanto, creio na volta literal de Cristo nas nuvens do céu. Não creio no arrebatamento secreto. Creio no milênio como se encontra no livro de apocalipse. Creio que toda a igreja se encontrará com Jesus nas nuvens do céu e não somente alguns como afirma a teoria do arrebatamento secreto. Teremos que passar por uma grande tribulação e perseguição antes da volta de Cristo. Não haverá segunda chance para os que ficarem, pois Deus ainda está nos dando a chance com a “porta da graça” aberta e compete a nós tomarmos uma decisão no tempo presente. Haverá um juízo final e as nossas obras já estão sendo examinadas desde agora. Não creio na afirmativa “uma vez salvo, salvo para sempre”, de que o crente não perde a salvação e sim o “galardão”. Se o crente se desviar do caminho, com certeza perderá a salvação. Não creio no inferno, pois inferno significa sepultura, “sheol” em hebraico. Os mortos vão para a sepultura e a morte é como um sono.
Portanto, este é o meu posicionamento teológico quanto aos temas acima. Posso até ser taxado de fundamentalista, mas ainda creio nas Escrituras Sagradas como a Palavra de Deus inspirada.

"Solla gratia, solla fide, solla scriptura"

Escatologia - Doutrina das Últimas Coisas

O termo “Escatologia”, vem do grego “éschatos” e “logia”, ou seja, é a reflexão racional, o estudo sobre as últimas coisas.
As últimas coisas, entretanto, tanto podem se referir a acontecimentos futuros, quanto a acontecimentos presentes, pois o tempo de Deus é diferente do nosso tempo. O tempo de Deus é “kairós”, enquanto o tempo de ser humano é “chronós”. Para Deus mil anos são como um dia e um dia é como mil anos.
Acredito que o momento decisivo de nossas vidas é quando a morte chega. Quando ela chega devemos estar preparados. Por isso, o preparo espiritual deve ser diariamente. Não sabemos a hora. Nem o próprio Jesus afirmou que sabia a hora de seu retorno. Nem tampouco nós pecadores, haveremos de saber o dia e a hora de retorno de Cristo, nem de nossa própria morte. Se é que estaremos vivos ou mortos quando do Seu retorno.
Todo cristão deve ter a plena certeza de que Deus restaurará todas as coisas ao seu estado original. No “Dia do Senhor” toda a violência, injustiça e opressão deste mundo serão exterminados e Deus nos enxugará toda lágrima, pois não haverá mais morte, nem dor, nem doença ou qualquer tipo de sofrimento.
Enquanto aguardamos a restauração de todas as coisas, devemos viver no tempo presente os valores do reino de Deus, pautados na paz, na justiça, misericórdia, amor e perdão ao próximo. O cristão não deve somente esperar os acontecimentos futuros, mas começar a praticar desde o momento de sua conversão, desde o momento que aceita a Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador.
Portanto, se quisermos morar no céu, devemos primeiramente começar a praticar os valores do reino de Deus aqui na terra. Existe um hino cantado pelo quarteto “Arautos do Rei” que diz que “o céu é aqui”. A nossa vida e o nosso lar dever ser, portanto, o início e um pedacinho do céu.

Ecumenismo Prático

Cremos que deveria haver apenas uma religião entre os cristãos, o Cristianismo. No entanto, o problema da unidade e do ecumenismo consiste basicamente na palavra “fundamentalismo”. O Cristianismo possui várias ramificações denominacionais e cada uma defende a sua doutrina com unhas e dentes e não abrem mão de maneira alguma.
De um lado temos o “fundamentalismo católico”, nos discursos do atual Papa Bento XVI, Joseph Ratzinger, onde o mesmo afirma que “extra ecclesia nulla sallus”, não há salvação fora da Igreja Católica. O papado defende os dogmas da Igreja católica e baseia a sua doutrina não somente nos livros canônicos, mas também nos apócrifos e na tradição da igreja.
De outro lado temos o “fundamentalismo protestante”, onde a maioria nega a autoridade papal e a considera como a “besta” do Apocalipse do final dos tempos. O protestantismo defende o “sacerdócio universal de todos os crentes”, rejeita os livros apócrifos e se pauta pelo princípio protestante “solla gratia, solla fide e solla scriptura”, " somente pela graça, pela fé e pela escritura”.
Diante disso, creio ser difícil a união doutrinal entre as igrejas. Entretanto, com relação ao “Ecumenismo Prático” como saída para promoção da vida e da dignidade da pessoa humana, acredito ser válido. Ao invés de as igrejas estarem realizando disputas doutrinárias e concorrendo no mercado religioso por adeptos, porque não desviarem tais esforços em conjunto para a defesa da vida e não provocarem mais derramamento de sangue?.
Defendemos a unidade na diversidade. Cada religião pode permanecer em sua crença, em seus dogmas, sem precisarem abrir mão de seus princípios doutrinários. Mas que isso não seja motivo de discórdias e de disputas religiosas. Devemos buscar a unidade em Jesus Cristo, pois Ele derrubou todas as barreiras da intolerância, do preconceito e da discriminação. Nele não existe acepção de pessoas. Somos todos cristãos, filhos de um mesmo Deus. Como pregar a unidade, se entre nós não existe concordância?
Portanto, devemos mostrar o exemplo da unidade da fé, do testemunho, do compromisso e do amor em Cristo e defendermos a promoção da dignidade do ser humano e da plenitude de vida.

Processo de desenvolvimento da consciência eclesial da Igreja Cristã

O processo de desenvolvimento da consciência eclesial pode ser classificada em ekklesía mística e ekklesía concreta. A ekklesía mística era a Igreja Universal enquanto corpo místico de Cristo. Já a ekklesía individual ou concreta expressava o caráter local da Igreja enquanto corpo de Cristo. O desenvolvimento não se deu apenas pelas influências e esforços paulinos, mas também por causa dos antecedentes históricos daqueles que se convertiam, ou seja, eram geralmente judeus ou pessoas que tinham algum tipo de influência proselitista do judaísmo e se reuniam em sinagogas helenistas. Com o surgimento e desenvolvimento da consciência eclesial da Igreja Cristã antiga surgem também as celebrações litúrgicas com os ritos do Batismo e da Ceia do Senhor ou Eucaristia. O Batismo é considerado como um rito de iniciação ou rito de passagem. Para que um indivíduo cristão possa fazer parte de uma comunidade cristã, depois de convertido, deve ser batizado. É um meio de purificação dos pecados, através da lavagem pela água. Ele se esquece do seu passado e inicia o processo de uma nova vida em Cristo Jesus. É o nascimento de uma nova vida como criatura no Reino de Deus. Quanto à forma do batismo, a maioria dos teólogos defende o batismo por imersão, tanto que no original a palavra batismo, em grego: baptizo significa imersão, submersão e emersão, ou seja, a pessoa deve ser mergulhada na água. No entanto, outras formas de batismo eram admitidas na igreja cristã primitiva e são praticadas até os nossos dias, tais como a aspersão e efusão. O que importava era o rito e não a sua forma. A Ceia do Senhor ou mais comumente conhecida como Eucaristia no catolicismo é a celebração mística com o corpo e o sangue de Jesus Cristo. O próprio Jesus enfatizou na última Ceia com os discípulos: “Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados”. (Mat. 26:28). O catolicismo defende a transubstanciação do vinho e do pão materializados como sendo o próprio corpo de Cristo. Esta doutrina não possui base bíblica. O rito da Ceia do Senhor é apenas uma figura, uma simbologia do sacrifício que Cristo fez por nós. Portanto, representa o “memorial do sofrimento” de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o qual sofreu e morreu na Cruz do Calvário, para a remissão de nossos pecados. Antes da institucionalização da Igreja, estes ritos poderiam ser realizados por qualquer cristão. A partir do II século, a administração de tais ritos passou para os bispos, sacerdotes oficiais da Igreja institucionalizada. Até os nossos dias, estes ritos são considerados essenciais e de suma importância para a comunidade cristã. São realizados por um pastor, sacerdote ou clérigo religioso nas comunidades como forma de iniciação e confirmação de novos adeptos na religião.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Qual é sua atitude?

Deus espera que cada um de nós seja um missionário vivo

Em tempos de muito comentário e preocupação com a gripe suína, quero convidar você a refletir em uma ilustração que recebi há alguns anos, mas que parece extremamente atual. Ela ajuda a avaliar nossa atitude em um período de forte compromisso com o testemunho e a missão. Afinal, este é o mês do batismo da primavera e tempo de preparo para o grande movimento de evangelismo, via satélite, com o pastor Mark Finley. Leia com atenção.

Em uma típica tarde de sexta-feira, você está lendo notícias que parecem sem importância. Uma delas fala de uma cidade muito distante onde morreram três pessoas de uma gripe totalmente desconhecida.Na segunda-feira, quando você acorda, ouve que já não são três, mas trinta mil pessoas mortas por causa da tal gripe, nas colinas remotas da Índia. Um grupo do controle de doenças foi investigar o caso. Na terça-feira, esse fato já é a notícia mais importante, ocupando a primeira página dos jornais em todo o mundo. Agora, o vírus já não está só na Índia, mas também no
Paquistão, Irã e Afeganistão. Então, uma notícia surpreende a todos: A Europa fecha suas fronteiras e a França não mais recebe voos da Índia nem de outros países em que haja comentários da tal doença. Por causa disso, você está ligado em todos os meios de comunicação. De repente, surge a informação de que, num dos hospitais da
França, um homem está morrendo devido a essa gripe misteriosa. Começa o pânico na Europa. As informações dizem que, quando alguém contrai o vírus, é questão de uma semana e nem percebe. Em seguida, tem quatro dias de sintomas horríveis e não resiste. A Inglaterra também fecha suas fronteiras, mas já é tarde. No dia seguinte, o presidente dos Estados Unidos também fecha as fronteiras de seu país para a Europa e a Ásia. Ele quer evitar a entrada do vírus no país. As pessoas começam a se reunir nas igrejas em oração pela descoberta da cura, quando, de repente, alguém entra aos gritos: “Liguem o rádio! Liguem o rádio! Duas mulheres morreram em Nova Iorque!” Em questão de horas, parece que o mundo inteiro foi invadido pelo vírus. Os cientistas continuam trabalhando na descoberta de um antídoto, mas nada funciona. De repente, vem a notícia esperada: Conseguiram decifrar o código de DNA do vírus. É possível
fabricar o antídoto. É preciso, para isso, conseguir sangue de alguém que não tenha sido infectado pelo vírus. Por todo o mundo, corre a notícia de que as pessoas devem
ir aos hospitais fazer análise do sangue e doá-lo para a fabricação do antídoto. Você, toda a sua família e alguns vizinhos vão ao hospital como voluntários, se perguntando: “Será este o fim do mundo?” De repente, o médico chama por um nome. Seu filho menor, que está ao seu lado, se agarra a sua camisa e diz: “Pai, esse é meu nome.” E, antes que você consiga reagir, seu filho é levado.Você grita: “Esperem!” E eles respondem: “Está tudo bem. O sangue dele está limpo, é sangue puro. Achamos que ele tem o sangue que precisamos para o antídoto.” Depois de cinco longos minutos, os médicos saem chorando e rindo ao mesmo tempo. O médico mais experiente se aproxima
de você e diz: “Obrigado, senhor. O sangue de seu filho é perfeito, está limpo e puro; o antídoto finalmente poderá ser fabricado.” A notícia se espalha por todos os lados. As pessoas estão orando e rindo de felicidade. Nesse instante, o médico se aproxima de você e de sua esposa dizendo: “Podemos falar com vocês um momento? Não sabíamos que o doador seria uma criança. Por isso, precisamos que vocês assinem uma autorização para usarmos o sangue do seu filho.” Quando você começa a leitura, percebe que não colocaram a quantidade de sangue que vão usar. Quando você pergunta, o sorriso do médico desaparece e ele responde: “Não pensávamos que fosse uma criança. Precisamos de todo o sangue do seu filho.” Você tenta questioná-lo, mas o médico insiste: “O senhor não compreende? Estamos falando da cura para o mundo inteiro. Por favor, assine! Nós precisamos de todo o sangue dele.” Você logo pergunta: “Mas não podem fazer uma transfusão?” A resposta é imediata: “Se tivéssemos sangue puro, poderíamos. Assine, por favor.” Em silêncio, e sem sentir a caneta na mão, você assina o documento. Logo perguntam: “Você quer ver seu filho?” Você caminha em direção à sala de emergência, onde seu filho está sentado na cama. Ele diz: “Papai, mamãe! O que está acontecendo?” Você segura a mão dele e responde: “Filho, sua mãe e eu o amamos muito e jamais permitiríamos que acontecesse com você algo que não fosse necessário. Você entende?” O médico volta e lhe diz: “Sinto muito, senhor, precisamos começar. Gente do mundo inteiro está morrendo. Saia, por favor! Dê as costas a seu filho e deixe-o aqui.” Enquanto isso, seu filho grita: “Papai, mamãe! Por que vocês estão me abandonando?” Na semana seguinte, fazem uma cerimônia para homenagear seu filho. Muitas pessoas ficam em casa dormindo, outras não comparecem ao evento porque preferem fazer um passeio ou assistir a um jogo na TV. Algumas ainda vêm com um sorrisofalso, como quem realmente não está se importando. Você tem vontade de parar e gritar: “Meu filho morreu por vocês! Não se
importam com isso?” (Autor desconhecido).
Por favor, no seu dia a dia, não deixe de anunciar essa salvação. Afinal, “se cada um de nós fosse um missionário vivo, a mensagem para este tempo seria rapidamente proclamada em todos os países, a cada povo, e nação, e língua” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 3, p. 71). Este é um momento fundamental para isso. Qual será sua atitude?

Mensagem Pastoral - por Erton Köhler - Revista Adventista 10/2009
Erton Köhler é presidente
da Divisão Sul-Americana

Meu tempo de colégio

Meu tempo de colégio

Investir na educação adventista é edificar sobre a Rocha
Durante uma década, desfrutei a vida de internato:
cinco anos no Instituto Adventista de Ensino (IAE), e
cinco, no Educandário Nordestino Adventista (ENA).
Com exceção dos períodos de férias, nos quais vendia
livros e revistas para conseguir a bolsa escolar, passei
um sétimo de minha vida no “segundo lar”. E tenho
“doces recordações”.
Quando cheguei ao colégio para cursar uma parte
do Ginásio, conheci estudantes como Léo Ranzolin,
Assad Bechara, Ademar Quint, Joel Sarli, Ruy Nagel
e Evelyn Skrobot Paraná. Eu olhava para eles com
respeito e admiração. Léo Ranzolin, por exemplo,
era líder de jovens. Dinâmico e entusiasta, promoveu
inspiradores programas MV (hoje JA), num dos quais
senti o desejo de trabalhar para a causa do Evangelho.
Antes de ir para o colégio, ouvi pessoas falarem
sobre importantes personagens da escola, como
Jerônimo Garcia, Siegfried Kümpel, Albertina Simon,
Rodolpho Belz, Jerome Justesen, Renato Oberg,
Nevil Gorski, Orlando Ritter e tantos outros. Com o
passar dos anos, todos eles foram meus professores e
exerceram profunda influência em minha vida.
No ENA, conheci estudantes que também
deixaram sua marca: José Mascarenhas Viana, Arôvel
Moura, Izaías Andrade, Nalva Amorim e Gerusa
Bezerra. E professores como Waldemar Groeschel,
José Nóbrega, Ilse Hort, Robert D. Davis, Frederico
Gerling, Modesto Marques e Eduardo Zurita. A
maioria dos leitores não conhece nada sobre essas
pessoas, mas Deus as usou poderosamente para o bem
de milhares de alunos.
Em meu primeiro ano de colégio, um texto bíblico
me serviu de estrela-guia: Provérbios 3:1-8.
Quando abri a mala e peguei minha Bíblia, esses
versos estavam sublinhados. Um recadinho da
minha mãe me recomendava a leitura diária dessa
porção da Palavra de Deus. Até hoje leio esses versos,
especialmente o primeiro: “Filho Meu, não te esqueças
dos Meus ensinos, e o teu coração guarde os Meus
mandamentos.”
Meu “segundo lar” contribuiu muito para que
eu amasse a Palavra de Deus. Os cultos matinais
e vespertinos, as atividades espirituais do sábado,
as aulas de ensino religioso e o bom exemplo de
professores e colegas – tudo isso me ajudou muito.
Uma das coisas que aprendi no colégio foi a
solidariedade. Na segunda série ginasial, tive um
colega chamado Iwao. Ele não era adventista. Certo
dia, na hora do recreio, ele me viu encostado à parede
da cantina, com um livro na mão. “Rubens, todos os
alunos compram picolé ou bolacha e você se contenta
com leitura.” Ele não sabia que eu não tinha dinheiro
para guloseimas. O fato é que, daquele dia em diante,
ele partilhou o lanche comigo até o fim do ano. Nunca
mais vi meu amigo Iwao, mas ele me ensinou que
partilhar é mais importante do que receber.
Outra coisa importante na vida colegial é a música.
Cantei em quartetos (olá, meus colegas Luís Motta,
Joel Sarli, Aristone Luís Pereira, Marenus de Paula,
Wilson e Hélio Santos, Paulo Sarli, Malton Braff,
Roberto Conradi, Frederico Gerling, Izaías Andrade,
Moisés e Edgar Santos), quanta saudade! Um dia,
cantaremos junto ao Rio da Vida. E não vai demorar
muito! Também cantei em corais estudantis. Certa
vez, voltávamos de trem, após abençoada excursão
do Coral Carlos Gomes. No banco da frente, estava
a Helena Garcia. Numa curva da estrada, quando fui
pegar minha pasta cheia de livros, perdi o equilíbrio
e toda a minha “biblioteca” caiu pela janela, inclusive
uma Bíblia com muitas anotações. Na segunda-feira,
na hora do recreio, o professor Jerônimo Garcia, pai
da Helena, me entregou um pacote. Era uma Bíblia de
luxo, com a seguinte dedicatória: “Ao Rubens, com um
amplexo do Jerônimo Garcia”.
Quando olho para o passado e assisto ao filme da
minha passagem pelos colégios adventistas, vejo que
Deus tinha um propósito para mim. Aprendi muitas
coisas – ciências, línguas (inclusive um pouco de latim),
matemática, geografia, história, doutrina, teologia –
mas a estrela-guia foi e continuará sendo a Bíblia.
Pais, não existe maior investimento do que a
educação cristã. Disse Ramalho
Ortigão: “Em todo estado e em toda
condição social, o homem bemeducado
é um homem superior.”
Nesta edição, a matéria de capa focaliza a
importância da educação adventista. Como
editor, espero que essa ênfase ajude nosso povo a
entender o propósito das instituições de ensino.

Editorial Revista Adventista 10/2009 - por Rubens Lessa
Rubens Lessa é editor da
Revista Adventista.
rubens.lessa@cpb.com.br